Sempre ouvimos, vemos ou conhecemos histórias de animais que foram abandonados, "jogados fora" popularmente falando. Aqui no blog já postei várias notícias sobre isso. Algumas com finais melhores e outras com finais trágicos...é verdade! Esta com certeza não é uma situação incomum pra nós brasileiros.
O abandono de animais, em especial os animais domésticos como cães e gatos é um problema que afeta de maneira cada vez mais os grandes centros urbanos ao redor do mundo, principalmente no ocidente (fonte wikipédia). A cada dia cerca de 12% dos animais são vítimas de maus tratos (aqui inclue-se, abandono, violência, sacrifício, fome, morte etc). O mais chocante de tudo é quando estes são vítimas pelas mãos dos próprios tutores ou donos, pois é difícil crer que aqueles que detém o 'poder-dever' direto de posse, carinho, respeito a vida e acima de tudo amor para com seu animalzinho de estimação são capazes de cometer tais atrocidades...tudo bem acontece...é isso que sempre ouço e mais me revolta. E o pior de tudo são os dados fornecidos pela revista Folha:
CAUSAS DE ABANDONO (motivo)
Cães, Por que?
18,5% Suja a casa
12,6% Destrutivo fora de casa
12,1% Agressivo com pessoas
11,6% Tem o vício de fugir de casa
11,4% Activo demais
10,9% Requer muita atenção
10,7% Late ou uiva muito
9,7% Morde
9,7% Destrutivo dentro de casa
9,0% Desobediente
(Pesquisa feita nos EUA em 12 abrigos, envolvendo 1.984 cães e 1.286 gatos. As somas passam de 100% porque um dono pode ter alegado mais de um motivo para abandonar seu animal. Apud: Revista da FOLHA de 7 de janeiro de 2007 )
Gatos, Por que?
37,7% Suja a casa
11,4% Destrutivo fora de casa
10,9% Agressivo com pessoas
8,0% Não se adapta com outros animais
8,0% Morde 6,9% Requer muita atenção
12,6% Destrutivo fora de casa
4,6% Eutanásia por motivos de comportamento
6,9% Não amistoso
4,6% Activo demais
(Fonte: Revista veterinária "Journal of Applied Animal Welfare Science". Apud: Revista da FOLHA de 7 de janeiro de 2007 ) Ante a toda esta situação, qual a solução imediata para resgatar a vida e adignidade destes seres?
Colocá-los em abrigos.
Os abrigos para cães e gatos, na maioria das vezes, acabam se tornando depósitos de animais. Vemos inúmeros casos de pessoas de bom coração que começam a abrigar animais e quando dão por si, não possuem estrutura para mantê-los. Resultado: animais com fome, doentes e pessoas desesperadas atrás de ajuda. O abrigo deve ser apenas um local de passagem para os animais, não um lar definitivo. Mas não é isso que acontece na maioria de abrigos pelo Brasil. Embora a situação dos abrigos seja dramática, existem exceções. Com planejamento, trabalho voluntário, uma verba permanente e muita consciência, é possível manter um abrigo que seja um bom lugar para os animais. Esse é o caso do Abrigo Piccolina em Avaré - SP (www.abrigopiccolina.org.br), um raro exemplo de abrigo que deu certo


Em funcionamento desde outubro de 2003, o Piccolina foi construído em um terreno de 15.000 mts2, e seguiu um projeto minuciosamente planejado. Por iniciativa particular, o abrigo conta com toda a estrutura necessária para cuidar muito bem de seus animais: sala da administração, centro veterinário (consultório, internação e centro cirúrgico), sala de banho e tosa, depósitos para ração, produtos de higiene, limpeza e equipamentos, cozinha, vestiários para funcionários e voluntários, e zeladoria.
Os animais ficam distribuídos em 2 blocos, cada um contendo 30 baias de 25 mts2 cada, que abrigam de 1 a 5 animais, divididos por tamanho, sexo ou afinidade. Cada baia possui uma parte coberta e outra descoberta e possibilita para o animal a própria escolha de estar ou não ao ar livre. Além dos itens básicos, não foram esquecidos detalhes como jardins floridos, música ambiente para desestressar os animais, aquecedores no inverno e camas individuais em caixas plásticas. Além disso, também para as pessoas envolvidas com os animais foram criadas condições de conforto para valorizar e estimular o trabalho voluntário. A atividade do abrigo é essencialmente a de resgatar os cães de rua, abandonados e os mais necessitados, recuperando-os, castrando-os e disponibilizando-os para
ADOÇÃO, ou garantindo-lhes total assistência até o final de sua vida. Além disso, há o serviço de Verificação das
Denúncias de Maus-Tratos, e os projetos de conscientização pela
Posse Responsável e de Educação Ambiental junto a Escolares. O Abrigo não recebe animais que as pessoas não querem mais. Admite apenas cães que viviam abandonados pelas ruas de Avaré, doentes e com dificuldades de sobrevivência, que correm risco de morte se não receberem assistência o mais rapidamente possível. Como a ocupação do abrigo quase sempre está em seu limite máximo, a entrada de novos animais fica na dependência da abertura de vagas após a saída dos cães já recuperados, através das adoções. A consciência do Abrigo Piccolina com o número de animais que acolhe evita a superpopulação, o principal fator que faz com que muitos abrigos percam o controle da situação e apareçam problemas graves como falta de alimento para os animais, voluntários insuficientes, proliferação de
doenças, etc..
O Abrigo Piccolina conta com um voluntariado atuante e constante. Tratadores e vários veterinários trabalham graciosamente para a entidade, pelo bem dos animais.
As campanhas de castração em massa são a maneira mais eficiente de controlar, a longo prazo, o problema do excesso de animais sem donos. Aliado a isso, é necessário campanhas de conscientização de população. A curto prazo, os abrigos temporários são a solução para os animais de rua. Mas como o Abrigo Piccolina, eles devem ter planejamento de estrutura e verba. É preciso ter meios de recolocar os animais em lares definitivos para que o abrigo não se torne um local pior do que as ruas...
Alessandra Carvalho
@alessandrarc